Metade das indústrias da região de Campinas aponta falta de recursos para novos investimentos

Na avaliação da indústria regional os principais motivos para a falta de dinheiro são o alto custo do crédito, juros elevados ou restrição de orçamento para investimentos de longo prazo.

A Regional Campinas do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), apresentou nesta terça-feira, 23, Pesquisa de Sondagem Industrial de Junho, apontando que a ‘falta de dinheiro’ para 50% delas é o principal motivo para não ampliar o número de máquinas. Na avaliação da indústria regional os principais motivos para a falta de dinheiro são o alto custo do crédito, juros elevados ou restrição de orçamento para investimentos de longo prazo.

Na mesma questão, para 20% das respondentes o ‘ganho de produtividade tecnológica’, que é a modernização/automação das máquinas atuais já aumenta a capacidade de produção. Para 10% das empresas, o foco é a ‘estratégia de mercado flexível,com a customização e o valor agregado do produto, onde isso importa mais do que o volume de produção. Já 20% faz ‘uso de capacidade oculta’, com otimização dos turnos e processos internos, para extrair o potencial que as máquinas atuais ainda possuem. Nenhuma das associadas respondeu ao item ‘modelo de produção enxuta’, que é a preferência por terceirizar etapas produtivas ou o uso da inteligência e Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), evitando assim investir em capital.

O vice-diretor do Ciesp-Campinas, Valmir Caldana, afirmou que o baixo investimento da indústria na ampliação de suas máquinas ao longo dos últimos anos, apontado nas pesquisas mensais da entidade, deixa claro nas respostas de 50% das associadas, que colocam “o custo do dinheiro como o maior problema”.

Em relação a Sondagem Industrial, Caldana explicou que ela apresenta pequena melhora nos indicadores, quando comparados com o mês anterior – volume de produção (aumentou para 50% das respondentes), faturamento (também aumentou para 50%), número de funcionários (aumentou para 20%). A utilização da capacidade instalada de produção está entre 70,1% e 100% para 60% das empresas. “No entanto, precisamos aguardar os próximos meses para verificar se essa tendência positiva se mantém”, acrescentou.

O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, disse que o cenário internacional exige atenção. O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta riscos relevantes para a economia global, como conflitos prolongados para limitação geopolítica e novas tensões comerciais. A Organização Mundial do Comércio (OMC) também indica desaceleração do comércio mundial em 2026, influenciada pelas tensões no Oriente Médio e custos de energia e transporte.

“Temos riscos logísticos e rotas estratégicas, que seguem impactando nos fretes, nos seguros e custos das mercadorias importadas”, explicou.

Balança Comercial Regional – Anselmo Riso analisou os números da Balança Comercial Regional.  Em maio de 2026 o valor exportado foi de US$ 322 milhões – 14,07% maior que em maio de 2025. O acumulado em 2026 é de US$ 1,4 bilhão, 3,75% maior que no mesmo período do ano anterior.

Já as importações em maio de 2026 foram de US$ 1,1 bilhão – 3,28% menor que em maio do ano passado. O acumulado é de US$ 5,4 bilhões – 0,67% menor que no mesmo período anterior.

O déficit em maio de 2026 foi de US$ 822 milhões – 8,73% menor que o registrado em maio de 2025. O déficit acumulado é de US$ 3,9 bilhões – 2,23% menor que no mesmo período de 2025.

A corrente de comércio exterior regional (soma das exportações e importações) em maio de 2026 foi de US$ 1,4 bilhão – 0,07% maior que em maio de 2025. O acumulado da corrente de comércio exterior é de US$ 6,8 bilhões – 0,25% maior que no mesmo período do ano passado.

Em maio de 2026, os principais municípios exportadores da Regional Campinas do Ciesp foram, pela ordem:

Campinas (39,98%), Paulínia (18,15%), Sumaré (10,21%), Mogi Guaçu (10,01%) e Santo Antônio de Posse (4,24%).

Já os municípios que mais importaram foram: Paulínia (40,62%), Campinas (23,36%), Santo Antônio de Posse (8,04%), Jaguariúna (7,99%) e Sumaré (6,65%).

Os três principais destinos das exportações da indústria regional em maio de 2026 foram: Estados Unidos (US$ 63,65 milhões – 19,72%), Argentina (US$ 44,71 milhões – 13,86%), Portugal (US$ 16,31 milhões – 5,05%).

Principais países de origem das importações para a região em maio de 2026: China (US$ 301,57 milhões – 26,34%), Estados Unidos (US$ 175,86 milhões – 15,36%) e Coreia do Sul (US$ 93,13 milhões – 8,13%).

Perfil – O Ciesp-Campinas conta com 590 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios da região. O faturamento conjunto das empresas associadas é de R$ 53 bilhões ao ano. Conjuntamente essas empresas empregam 97.954 colaboradores.



FONTE: diariocampineiro.com.br/